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A casa.

Não é apenas por um acaso linguístico que Manuel António Pina, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, equipara um sorriso — e um amor — a uma casa. Afinal, chegar a casa é isso mesmo: percorrer o caminho familiar que, serenamente, nos leva ao recanto do costume. É isso mesmo, e é muito mais: é descalçar o dia e pôr os pés em nós. Esticar os bocejos, abraçar os ensejos, despir a pele e desfazer os nós.   Por isso, quando falamos em casa para viver, não falamos só de uma casa. Da estrutura que se ergue para se fazer «domicílio, lar, morada, residência». Falamos de uma construção escrita ao abrigo do acordo fotográfico com a memória: um lugar onde se repetem as horas — e os anos — até que se façam rotinas — e efemérides. Quando falamos em casa para viver, não falamos só de uma casa. Falamos da altura em que nos escondemos debaixo das mesas ou do dia em que saímos do armário. Falamos do dia em que passámos a ser um, dois, ou deixámos tudo isso para depois. Falamos do dia em ...

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