muito rapidamente, de novo, para não ensaiar palavras: no domingo, pensei que o outono tinha caído no meu colo, quando entrou pela janela do carro; sonho todos os dias com pássaros mortos e gostava que me explicasses porquê; quero muito comprar um corpo de ensaio e erro, pode ser? acho que este se estragou; fiquei a saber que também nunca vou ser do tipo de rapariga cujos cabelos esvoaçam de forma perfeita ao som do vento (sim, som, não me sabe a nada, mas ouço-o); descobri, também, que vou sempre sentir-me asfixiada dentro dos abraços desfeitos de almodóvar, por mais que os caminhos sejam traçados sempre da mesma forma; também acho que devia haver uma disciplina que obrigasse os alunos a estudar certos filmes; comprei mundos antigos por dez euros e pensei como seria bom comprar os novos a esse preço; comprar os novos, apenas, já era bom; acordo todos os dias a pensar em aprender uma coisa nova, para não ver à lupa aquilo que não consegui aprender (acho que se chama "esperar", mas não tenho a certeza); no autocarro que apanho todos os dias, há um senhor que faz listas de tudo, com uma letra muito perfeitinha: jornadas de futebol, playlists de rádios, dados percentuais do que quer que seja, compras, programações televisivas; lembrei-me que gosto de fazer listas, mas nunca em andamento, porque a letra não fica perfeitinha. o problema será sempre esse: a letra não ficar perfeitinha.