quinta-feira, 30 de agosto de 2012

no, I can't.



"I can't fight it anymore. I ran away from you once. I can't do it again. Oh, I don't know what's right any longer. You have to think for both of us. For all of us.

All right, I will. Here's looking at you, kid. 

I wish I didn't love you so much."




* dos diálogos entre Ilsa/Ingrid Bergman e Rick/Humphrey Bogart em Casablanca.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

yes, I can.

©Rita Dellille

das decisões conjugadas na verdadeira primeira pessoa, dentro de um verdadeiro cliché, num verdadeiro primeiro dia do resto da minha vida.



* a foto maravilhosa é da também maravilhosa Rita Dellille (só podia!).

post-it.


de todos os mantras que me têm acompanhado, há um que permanece, intacto, na memória:


simplifica, Marta.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

we'll be shining.




les poupées russes, hoje, no Feito|Conceito
prometemos fazer quadras sobre os convocados da selecção, ao som dos hits de Neno, o guarda-redes cantor.

winter's coming.



um dia, hei-de perceber a ausência prematura daqueles que habitam, de corpo inteiro e em voz alta, os dias.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Selecção Natural.


em tempos de Selecção, com ou sem maiúscula, assinalam-se tarefas por completar.

sábado, 12 de maio de 2012

le Shmoo est mort, vive le Shmoo!


este coração morou, durante oito anos, na Rua Corpo de Deus, mas de arte sacra pouco ostenta. guarda nele algumas orações repetidas até até à exaustão, feitas em finais de semanas que não passaram de exercícios sequenciais de dias. mas todos os corações se cansam de esperar e este vai, finalmente, descansar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Bernardo.


nos meus olhos, serás sempre visto desta maneira: cabeça baixa e música erguida.

domingo, 6 de maio de 2012

nobody here deserves you.



Ó mãe,
depois deste colo de infância
nunca irei avançar
para o mundo das pessoas grandes
como um estranho
uma invenção,
ou vacilar
quando alguém
for tão vazio como um sapato. *




* Anne Sexton

quarta-feira, 2 de maio de 2012

pinky swear.




You know, sometimes all you need is twenty seconds of insane courage. Just literally twenty seconds of just embarrassing bravery. And I promise you, something great will come of it. *


* fotograma e excerto de We bought a zoo, Cameron Crowe (2011)



e eu já nem falo de tempo ou de coragem. falo da verdade de que se alimenta o coração. sou toda ouvidos.

obrigada.





Hide and seek. Catch me if you can. Over and over again. Until someone ends the game.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

o outro lado da Queima.



o país a quem roubaram a noite.



Neste país, em que já habitaram batalhas,
sobrevivem a ausência e a memória que a derrota convocou.

Depois das guerras dançadas em valsa lenta,
resiste, agora, a paralisia das horas.

Nos pés de quem nele sobrevive
- onde outrora se caminharam vitórias –
 inscreve-se uma paz descalça,
e a pele
– que outrora cobriu majestades –
usa mantos onde se confundem corpos com presenças.

Neste país, em que se improvisam hierarquias,
falta a noite para adormecer os medos.

Conta-se que
às árvores de fruto roubaram as raízes
e aos pássaros, a capacidade de voar.

Neste país a quem deixaram, apenas, o dia,     
todos as janelas dão para abandonos
e todas as mãos procuram, num desvio directo ao coração, agarrar futuros.

Aqui, neste país entre o céu e a terra,
escrevem-se linhas rectas em direcção ao que se pretende eterno,
adivinham-se sonhos,
vestem-se asas ,
mas os impérios, esses, estão apenas ao alcance dos olhos.


* poema para catálogo da exposição como se não fosse daqui, da pintora Helena Magalhães.



sábado, 28 de abril de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

o dia inicial inteiro e limpo.




* vinte e cinco de abril desenhado por Rosa Feijão. D'aqui.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Miguel.





‎"Sou de esquerda porque a minha mãe me proibia de deixar comida no prato, porque tinha de dar aos pobres a melhor prenda que recebia no Natal. Fui habituado à renúncia. E também sou de esquerda porque fui sempre um filho difícil, habituado a dizer não. O meu processo de afirmação foi contra".*



* ler mais aqui.

segunda-feira, 23 de abril de 2012





Sou cheia de manias. Tenho carências insolúveis. Sou teimosa. Raivosa, quando me sinto atacada. Acho sim, que, às vezes, dou trabalho. Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser pagar o preço da manutenção, mude para um Passat.*





* Fernanda Young.

at last.




quando de um regresso nascem as palavras que constroem o nosso corpo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

te echo de menos, futuro.



«(...) sabe-se lá o que lhes iria acontecer no futuro, a felicidade das pessoas não é uma coisa que se fabrique hoje e de que possamos ter a certeza de que ainda durará amanhã, um dia encontramos por aí desunido algum daqueles a quem havíamos unido e arriscamo-nos a que nos digam A culpa foi sua. Marta não quis render-se a este discurso do senso comum, fruto consequente e céptico das duras batalhas da vida, É uma estupidez deixar perder o presente só pelo medo de não vir a ganhar o futuro, disse consigo mesma, e logo acrescentou, Aliás, nem tudo está para suceder amanhã, há coisas que só depois de amanhã,(...)» 

[in "A Caverna", José Saramago]

domingo, 15 de abril de 2012

babysteps.


a vida não presta para sonhar.
sou como o desassossego, não sei esperar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

original soundtrack.


hang on to the things that you're supposed to say
billions of stars that open to your fate

cinematografia do quotidiano.


entre sonos e silêncios, sobram as legendas de um filme por estrear. é como viver num teaser constante, que espicaça e provoca, mas nunca nos oferece um guião.

sexta-feira, 30 de março de 2012

alice.


não há nada como saber que os outros nos desenham com as linhas certas. não há nada como perceber que há quem leia em mim as letras a-l-i-c-e, e não veja nisso uma história que não se deva contar. não há nada como receber palavras, na ausência de outras que se esperariam certas. disse-me ele que estas foram escritas para mim:

“No final do encontro com a rainha Branca, Alice confronta-a: ‘É impossível acreditar em coisas impossíveis.’ A rainha responde: ‘Atrevo-me a dizer que não praticaste o suficiente. Quando tinha a tua idade, fazia-o durante hora e meia todos os dias. Por isso, houve vezes em que acreditei em até seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.” *


* in Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Portugal, Portugal.

quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

hoje.


"(...) eu estou no refúgio da janela

eu tenho uma relação com o Sol." *

* Forugh Farrokhzad

vídeo: More Pieces From Aveiro from Joao Filipe Silva on Vimeo.

terça-feira, 27 de março de 2012

dia mundial do teatro.

"E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e dar-te filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao Florent beber um café à meia noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de televisão que vi na noite anterior e levar-te ao oftalmologista e não rir das tuas piadas e querer-te de manhã mas deixar-te dormir um bocado e beijar-te as costas e tocar na tua pele e dizer quanto gosto do teu cabelo dos teus olhos dos teus lábios do teu pescoço dos teus peitos do teu rabo do teu e sentar-me nos degraus a fumar até o teu vizinho chegar a casa e se sentar nos degraus a fumar até tu chegares a casa e preocupar-me quando estás atrasada e ficar surpreendido quando quando chegas cedo e dar-te girassóis e ir à tua festa e dançar até ficar todo negro e pedir desculpa quando estou errado e ficar feliz quando me desculpas e olhar para as tuas fotografias e desejar ter-te conhecido desde sempre e ouvir a tua voz no meu ouvido e sentir a tua pele na minha pele e ficar assustado quando estás zangada e um dos teus olhos vermelho e o outro azul e o teu cabelo para a esquerda e o teu rosto para oriente e dizer-te que és lindíssima e abraçar-te quando estás ansiosa e amparar-te quando estás magoada e querer-te quando te cheiro e ofender-te quando te toco e choramingar quando estou ao pé de ti e choramingar quando não estou e babar-me para o teu peito e cobrir-te à noite e ficar frio quando me tiras o cobertor e quente quando não o fazes e derreter-me quando te ris e não compreender porque é que pensas que eu te estou a deixar quando eu não te estou a deixar e pensar como é que tu podes achar que eu alguma vez te podia deixar e pensar em quem tu és mas aceitar-te na mesma e contar-te sobre o rapaz da floresta encantada de árvores anjo que voou por cima do oceano porque te amava e escrever-te poemas e pensar por que é que tu acreditas em mim e ter um sentimento tão profundo que para ele não, existem palavras e querer comprar-te um gatinho do qual teria ciúmes porque teria mais atenção que eu e atrasar-te na cama quando tens de ir e chorar como um bebé quando finalmente vais e ver-me livre das baratas e comprar-te prendas que tu não queres e levá-las de volta outra vez (...) e vaguear pela cidade pensando que ela está vazia sem ti e querer aquilo que queres e achar que me estou a perder mas saber que estou seguro contigo e contar-te o pior que há em mim e tentar dar-te o meu melhor porque não mereces menos e responder às tuas perguntas quando deveria não o fazer e dizer-te a verdade quando na verdade não o quero e tentar ser honesto que porque sei que preferes assim e pensar que acabou tudo mas ficar agarrado a apenas mais dez minutos antes de me atirares para fora da tua vida e esquecer-me de quem eu sou e tentar chegar mais perto de ti porque é maravilhoso aprender a conhecer-te e vale bem o esforço e falar mau alemão contigo e pior ainda em hebreu e fazer amor contigo às três da manhã e de alguma maneira de alguma maneira de alguma maneira transmitir algum do / esmagador, imortal, irresistível, incondicional, abrangente, preenchedor, desafiante, contínuo e infindável amor que tenho por ti." Kane - 2000, pp.239-241, Maria.

dois mil e doze.



baby steps, giant rides.

segunda-feira, 26 de março de 2012

doubts do.

não falo de quilómetros. falo de outros espaços, os que não figuram em mapas.

"demora-se muito tempo a aprender o silêncio", diz ele, como se me lesse sempre no asfalto ao lado.


* Star Slinger "May I Walk With You?" from ZAGUAR on Vimeo.

Laura.


"nos degraus de Laura,
no quarto das danças,
na rua os meninos
brincando
e Laura
na sala de espera
inda o ar educa" *

* excerto da letra de "Redondo Vocábulo", do Zeca, para acompanhar a guitarra do Norberto.
para a minha Laurinha.

domingo, 25 de março de 2012

domingos.


dançar a cadência dos poemas - contigo -, pela boca de quem quer repetir primaveras, sem avisar a meteorologia.



* imagem de poema de Alberto Caeiro, inserida na exposição Fernando Pessoa, plural como o Universo, na Fundação Calouste Gulbenkian.

sábado, 24 de março de 2012

sobretudo.

"(...) Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente — (...)" *


* Álvaro de Campos.
fotograma de Badlands, de Terrence Malick.

quinta-feira, 22 de março de 2012

do direito e do dever.

1/4.

quem dança [...]

todos os dias.


não percebo de asas,
tão-pouco de aves,
mas acredito no corpo
e na migração dos incêndios que lhe pertencem.





* imagem de poema de Alejandra Pizarnik, roubada à minha querida Lebre.

quarta-feira, 21 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

do dia inicial inteiro e limpo.


Não sei que horas são no teu relógio.

No meu é cedo/tarde - está parado

há bem mais de vinte anos.


Não importa, pois as coisas vão e vêm,

e de novo se levanta o mês de Março

nesta era da ironia, com seus truques

estafados e promessas desfolhantes.

Juntamente, tudo passa e tudo volta,

mas diverso - só por isso, justamente,

tem piada estar aqui, abrir os olhos,

conferir ainda e sempre, na vitrina

da manhã, a produção da Primavera.



José Miguel Silva, in revista Telhados de Vidro nº 10, p. 25, Averno, Lisboa, Julho de 2008

quinta-feira, 15 de março de 2012

on the road.



era tão mais fácil, assim.

quarta-feira, 14 de março de 2012

das escolhas.


jogar às escondidas com os desejos nunca foi um bom jogo de se jogar. as apostas caem em exagero, os riscos tornam-se danos, e o prémio, visto de olhos fechados, parece - às pálpebras - muito pouco aliciante. um dia, acabarei a frase que leio, invariavelmente, todos os dias, em voz baixa. um dia, terei coragem para perder.


terça-feira, 13 de março de 2012